Essa resposta é guiada por uma interação entre o sistema nervoso e o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal. Quando o cérebro percebe uma ameaça, seja real ou um medo irreal, ele envia um sinal para a glândula adrenal liberar hormônios do estresse na corrente sanguínea. Assim, eles desencadeiam alterações fisiológicas projetadas para aumentar a prontidão para a ação. “A adrenalina aumenta a frequência cardíaca, dilata os vasos sanguíneos e aumenta a disponibilidade de oxigênio para os músculos, preparando o corpo para a ação. Ao mesmo tempo, o cortisol ajuda a regular processos metabólicos, como o açúcar no sangue, para garantir que haja energia suficiente disponível para sustentar a resposta ao estresse”, acrescenta Neves.
No entanto, hoje em dia, embora enfrentemos menos ameaças físicas, o mesmo mecanismo de resposta ao estresse ainda está presente em nosso corpo e pode ser desencadeado por uma variedade de estímulos, como prazos apertados, problemas financeiros ou conflitos interpessoais. Infelizmente, o estresse crônico e a constante ativação do sistema de "lutar ou correr" podem ter consequências negativas para a saúde, incluindo aumento do risco de doenças cardiovasculares e distúrbios mentais, como ansiedade e depressão. O endocrinologista alerta que além de sintomas clássicos como dores de cabeça e ansiedade, há outros sintomas para vigiar.
1. Sono desregulado
O estresse crônico pode desencadear uma série de distúrbios do sono, incluindo insônia, sono fragmentado e pesadelos frequentes. “Isso porque o aumento dos níveis de cortisol no organismo pode interferir nos padrões naturais de sono, prejudicando a qualidade e a quantidade do descanso. Além disso, o estresse emocional pode levar a pensamentos ansiosos e preocupações que dificultam o relaxamento necessário para adormecer e permanecer dormindo. É comum que uma pessoa estressada acorde diversas vezes durante a noite”, afirma o especialista.
2. Hábitos alimentares
Quando estamos sob estresse, tendemos a recorrer a comportamentos alimentares inadequados, como comer rapidamente e mastigar pouco. Em situação de estresse crônico, é comum haver impaciência e necessidade de terminar rapidamente as refeições. Esses hábitos podem levar a problemas digestivos, como indigestão e azia, piorando ainda mais o humor. O estresse também pode alterar os níveis de hormônios relacionados à fome, como a grelina e a leptina, aumentando o desejo por alimentos ricos em gordura e açúcar.
3. Bruxismo e rigidez na mandíbula
Segundo Rodrigo, o bruxismo, ou ranger dos dentes, é uma resposta comum ao estresse emocional e pode ocorrer durante o dia ou à noite. A tensão muscular associada ao bruxismo pode levar a dores de cabeça tensionais, dor na mandíbula e problemas na articulação temporomandibular (ATM). Além disso, o apertamento dos dentes pode resultar em desgaste do esmalte dentário e danos aos tecidos moles da boca.
4. Baixa libido
O estresse crônico pode afetar negativamente a função sexual, reduzindo a libido e prejudicando a resposta perante os estímulos. Isso ocorre porque o aumento dos níveis de cortisol pode interferir na produção de hormônios sexuais, como a testosterona, que desempenham um papel fundamental no desejo e no desempenho sexual. Além disso, o estresse emocional pode diminuir o interesse e a excitação, tornando mais difícil para indivíduos estressados se conectarem intimamente com seus parceiros.
5. Problemas de concentração e memória
O estresse crônico é associado a déficits cognitivos, incluindo dificuldades de concentração, atenção e memória. “O aumento dos níveis de cortisol pode interferir na função do hipocampo, uma região do cérebro responsável pela consolidação da memória. Além disso, o estresse prolongado pode levar à atrofia da região, reduzindo sua capacidade de formar novas memórias e recuperar informações armazenadas. Esses problemas de cognição podem impactar negativamente o desempenho no trabalho, nos estudos e nas atividades diárias, aumentando ainda mais o estresse e criando um ciclo prejudicial”, alerta o endocrinologista.
Se você está experimentando esses sintomas, busque imediatamente um profissional de saúde, como um psicólogo, para desenvolver estratégias de enfrentamento saudável do estresse e promover um estilo de vida mais equilibrado. Priorizar o autocuidado e adotar medidas para reduzir o estresse são passos importantes para manter o bem-estar físico e emocional.
Sobre Dr. Rodrigo Neves
Médico com formação em Medicina, pós-graduação em Endocrinologia e 12 certificados em Nutrologia na Abran. Além disso, é um Practitioner e Master Practitioner em Programação Neurolinguística, dominando a arte da comunicação eficaz e é membro da A4M, demonstrando seu compromisso com abordagens inovadoras para o envelhecimento saudável. Sua vasta expertise e comprometimento fazem dele uma referência respeitada na medicina e na Nutrologia.
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