Pe. Maximiano Pelarim Neto, Assessor Diocesano da Pastoral
Familiar
É Natal! Tempo de
graça e de benção, onde a vida se faz presente. E nós somos chamados a
celebrá-lo em comunidade, em família, com alegria e esperança. No tempo do
advento, fomos sendo orientados pela Palavra do Senhor, quanto à presença de
Deus nos acontecimentos humanos, na história da salvação. Esta mesma Palavra
visou alimentar a nossa fé, nos fortalecer na esperança e, nos convidar a viver
a alegria do Evangelho. Neste mesmo sentido, devemos viver, também, a alegria
do amor em família, que o Natal nos proporciona. A presença do Messias
convida-nos a um novo jeito de viver, procurando realizar a vontade do Criador.
Assim, nossa vida se torna mais cheia de graça e de alegria, a exemplo da vida
de Maria. E Jesus é causa de nossa alegria.
Em tempos difíceis, marcados ainda pela pandemia, pela fome
que assola o nosso País, pela indiferença, por tantos preconceitos, devemos
fazer deste natal momento de encontro com o Salvador. Em família, esta
experiência verdadeira do encontro com Jesus, que se fez igual a nós em tudo,
menos no pecado, transforma, gera vida nova, anima e fortalece os vínculos
familiares. Os relacionamentos são renovados.
Jesus veio para nos salvar. Ele vem para nos libertar,
dando-nos vida nova, convidando-nos à solidariedade para com os sofredores e
sofredoras. “Dizei às pessoas deprimidas: Criai ânimo, não tenhais medo! Vede,
é vosso Deus, é a recompensa de Deus, é ele que vem para vos salvar” (Is 35,4).
Estas palavras do profeta Isaías, transmitidas para mostrar ao povo oprimido
que um novo êxodo iria acontecer, e Deus de novo iria intervir na história para
libertar o seu povo, nos aponta para Jesus Cristo, o libertador e salvador.
Precisamos ser libertados de tantas situações que oprimem e escravizam tantas
pessoas e famílias.
A principal preocupação de Jesus não foi com o pecado da
humanidade, mas com o seu sofrimento. Preocupado com esta realidade ele se fez
próximo dos doentes, excluídos e marginalizados, resgatando a dignidade e
promovendo a vida: “Eu vim para que todos tenham vida, e a tenham em
abundância” (Jo 10,10). Sejamos solidários e caridosos com o povo sofrido.
Hoje, os desafios familiares são muitos. Aliás, o que é
família? Como definir família neste tempo presente? São perguntas que devemos
nos fazer. Acolhamos a todas com amor, e sem preconceitos. Jesus também foi
acolhido numa família imperfeita. Mas esta soube se abrir para a vontade do
Senhor. “Fiéis ao ensinamento de Cristo, olhamos a realidade atual das famílias
em toda sua complexidade, nas suas luzes e sombras” (AL, nº 32). No entanto, o
nosso olhar, independentemente das situações familiares, deve ser de
misericórdia, compaixão e acolhimento. Este sempre foi o olhar de Cristo. Ele
nasceu numa família pobre, modesta, que teve que fugir para o Egito, protegendo
a vida daquela criança.
No natal é a “Vida” que se encarna. Jesus é a vida! A família
ao celebrar o Natal deve fortalecer o seu compromisso com a vida. A família é
santuário da vida. Ela é o lugar onde a vida é gerada e cuidada.
É na família, chamada a ser igreja doméstica, que devemos
estabelecer relacionamentos de amor, perdão e afeto, fazendo do nosso lar, à
semelhança da família de Nazaré, lugar de acolhida à Aquele que veio para nos
dar vida. Natal é festa da Encarnação do Deus vivo e verdadeiro. É festa da
vida! E festa do amor! Deus é amor! Na simplicidade e na pequenez de uma
criança, ele construiu sua tenda entre nós.
Neste processo, em que José e Maria foram envolvidos, a
família humana foi exaltada pelo Criador, e elevada em dignidade.

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