Jovem com deficiência física foi obrigada a se arrastar até o banheiro da aeronave
O defensor público federal André Naves (foto), especialista em Direitos Humanos e Sociais, se indignou ao saber do que havia ocorrido com a britânica Jennie Berry durante uma viagem de avião na última semana. Sem ajuda, a cadeirante foi obrigada a se arrastar dentro da aeronave para chegar até o banheiro. E ela disse ter ouvido de um dos comissários que "pessoas com deficiência devem usar fraldas em aviões”.
Segundo Naves, o caso relatado pela jovem mostra o que acontece com várias companhias aéreas mundo afora. “É impressionante. Depois que as pessoas compram as passagens aéreas -- isso no mundo inteiro - passam a ser apenas números. Falar para uma pessoa, passageira em um voo da empresa, que ela tem que usar fraldas é um absurdo gigantesco. A AlbaStar precisa se adequar para eliminar barreiras, precisa cumprir a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. As pessoas precisam ser respeitadas como pessoa humana", afirma André, que complementa: "Se um passageiro não consegue ir sozinho ao banheiro, uma solução precisa ser oferecida pela empresa, como cadeiras de rodas para transitar no corredor, além de treinamento dos profissionais de bordo para auxiliá-lo. A empresa foi absurdamente negligente neste caso. Tratou essa jovem como um objeto. Todos precisam ser tratados com dignidade para que possam ter o direito de exercer suas capacidades e habilidades. Esse episódio foi realmente um grande absurdo. É como se a empresa falasse que pessoas com deficiência não devem viajar”, comentou indignado.
A jovem Jennie Berry contou que a cadeira de rodas usada para ajudar passageiros com deficiência a se deslocar dentro no avião não estava disponível. Disse ainda que os comissários não permitiram que ela se sentasse próximo à frente do avião, embora houvesse assentos vagos, o que teria dificultado ainda mais a sua locomoção.
O defensor público lembrou ainda que São Paulo realiza a Semana da Mobilidade e este deveria ser mais um caso para reflexão da sociedade. “O que aconteceu com esta jovem inglesa acontece diariamente aqui no Brasil também. É como se pessoas com deficiência não tivessem direito de viajar, fossem vistas apenas como indivíduos limitantes, sem dignidade. É revoltante. Enquanto pessoas com deficiência forem tratadas desta forma, a sociedade como um todo vai continuar a ser exclusivista. Precisamos de um mundo livre de barreiras para que possamos nos desenvolver de forma sustentável e justa”, finalizou André Naves.

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