*José Renato Nalini
A pandemia foi um período de
provação para a humanidade. Mas também se mostrou uma real oportunidade para
revisar condutas nocivas, como a inclemente exploração dos recursos naturais,
conduzindo-os ao exaurimento.
Esperava-se que o combate ao
coronavírus estimulasse adoção de medidas tendentes a acelerar a transição para
a energia limpa e para a economia circular, mas não foi isso o que aconteceu.
Ao menos, não se verificou essa opção como prioridade governamental.
A constatação é de Jonas Nahm,
Professor de Energia, Recursos e Meio ambiente da Universidade Johns Hopkins.
Para ele, “os governos falam muito sobre crescimento verde como oportunidade,
mas, quando se deparam com um grande problema, a reação não é pensar nisso”.
Calcula-se que o investimento feito
por todos os países no combate à peste atingiu cerca de catorze trilhões de
dólares. Dos quais, apenas 6% se destinaram a políticas de redução da emissão
dos gases venenosos causadores do efeito-estufa.
O tempo perdido é irrecuperável. O
prazo conferido à humanidade é fatal. Haveria necessidade de redução das
emissões até 2025. Nada indica se atinja a meta fixada pelo Acordo de Paris em
2015.
Alguns países tentaram responder ao
desafio. O Canadá exige que as empresas divulguem seus dados de emissão de
carbono de forma transparente. A França pediu à Air France que desista de rotas
internas que competem com a ferrovia. Mas os Estados Unidos nada fizeram.
O Brasil, que se mostrou capaz de aumentar a produtividade em inúmeros setores, principalmente no Judiciário, perdeu mais uma oportunidade de se mostrar ainda promissor na política de redução das emissões. Se houvesse interrupção no desmatamento, já sinalizaria ao mundo a retomada de marcha ecológica tão entusiasticamente recebida a partir da década de setenta. Mas as cabeças pensantes que consolidaram a opção pelo ecologicamente correta foram substituídas por mentes imediatistas que subvertem a lógica e, em nome de aparentes vitórias imediatas no agronegócio, sacrificam as futuras gerações. Se é que estas ainda têm chance de virem a existir.
*José Renato Nalini é
Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Presidente da
ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS – 2021-2022.
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