*José Renato Nalini
Apesar do fosso intransponível entre
incluídos e excluídos nesta Terra de Santa Cruz, há uma juventude antenada que
já consegue falar a língua das startups. A curiosidade vence todos os
obstáculos. A escola sofrível, a falta de conectividade, a carência de quase
tudo o que tornaria mais digna a vida de milhões de brasileiros.
Por isso é que eles sabem o que
significa Design thinking, linguagem corriqueira nas startups e nas áreas de
inovação nas demais empresas. É um processo multidisciplinar que procura a
solução de problemas a partir dos usuários. Fazer com que os próprios
interessados desenhem o que seria conveniente adotar para aprimorar o produto
ou o serviço.
Eles também conhecem Disc, a
metodologia de avaliação comportamental que se utiliza para identificar
características marcantes, potenciais e pontos de desenvolvimento em uma pessoa.
A sigla resulta das iniciais de dominância (d), influência (i), estabilidade
(s) e conformidade (c). Rotineiro, ainda, o emprego de D&I, a sigla que
identifica Diversidade e Inclusão. Surgiu para assimilar as pessoas com
deficiência, mas logo absorveu as questões de gênero, raça, idade, tudo o que
pode adquirir uma conotação de diferença.
Todos já ouviram falar em
engajamento e em escuta ativa. Mas talvez ainda estranhem o EX (employee
experience), que foca o ponto de vista do colaborador, como ele enxerga a
empresa em quesitos como clima organizacional, liderança, plano de carreira,
salário e benefícios. É algo que alavanca ou rebaixa o conceito reputacional da
companhia.
Fit cultural é o encaixe entre o
candidato e a vaga, sob a vertente da política cultural da empresa. Já
follow-up é o acompanhamento periódico das atividades de uma área ou equipe ou
de demandas de projetos específicos. Pode ser chamado de FUP. O Job Shadowing é
um programa educacional em que estudantes do ensino médio ou universitário
frequentam uma empresa por determinado período, com o objetivo de descobrir se
gostam do tipo de trabalho ali desenvolvido. Quase que um estágio para
familiarizar o futuro trabalhador com a realidade do “chão da fábrica”.
Aqueles que não querem ficar sem trabalho, daqui para a frente, têm de conhecer bem essa linguagem. Emprego vai faltar, mas ocupação para quem dominar o mundo digital vai sobrar.
*José Renato Nalini é
Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Presidente da
ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS – 2021-2022.
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