Operação 'Cadeia Velha', desdobramento da Lava Jato, teve mandados cumpridos no Rio de Janeiro e no Triângulo Mineiro.
Por Vanessa Pires e Bruno Sousa, G1 Triângulo Mineiro com informações do G1 Rio de Janeiro
foto - Felipe Picciani foi levado pela Polícia Federal para o aeroporto de Uberlândia (Foto:Reprodução/TV Integração)
A Polícia Federal prendeu em Uberlândia, na manhã desta terça-feira (14), Felipe Picciani, filho do presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Jorge Picciani. A ação foi feita durante Operação Cadeia Velha, um desdobramento da Lava Jato, que acontece no Rio de Janeiro e Triângulo Mineiro. Havia um mandado de prisão temporária contra Felipe. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Uberaba.
Segundo confirmou o delegado-chefe da PF em Uberlândia, Carlos Henrique Cotta D'Ângelo, Felipe foi preso por volta das 6h perto do aeroporto da cidade. Ele havia levado o pai, Jorge Picciani, para embarcar para o Rio de Janeiro. Assim que desembarcou no RJ, Jorge Picciani foi conduzido para depor na sede da PF. Já o filho será encaminhado para o Rio de Janeiro em voo comercial nesta tarde. Ele já está no aeroporto de Uberlândia aguardando o voo, juntamente com equipe da Polícia Federal.
O advogado Cláudio Fontoura está na sede da PF acompanhando Felipe Picciani e informou que ainda não foram esclarecidas as razões do mandado de prisão. “Nós não temos ciência. A Polícia Federal de Uberlândia tá cumprindo uma ordem que veio de fora. O meu cliente não sabe as razões, eu também não tive acesso. Eu estou aqui apenas para assegurar se está tudo bem”, disse.
Foram presos na operação desta terça o empresário Jacob Barata Filho e o ex-presidente da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro (Fetranspor) Lélis Teixeira.
O presidente da Alerj, Jorge Picciani, é suspeito de receber propina da Fetranspor, em um esquema de corrupção no setor que envolveria políticos. Segundo a PF, as empresas de ônibus colocavam dinheiro em uma "caixinha", destinada ao pagamento de propina a políticos para aprovar leis que beneficiariam o setor. A informação chegou ao Ministério Público Federal (MPF) com a delação premiada do doleiro Álvaro José Novis.
Mandados em Uberaba
foto - Polícia Federal cumpre mandado de busca e apreensão em fazeda da família Picciani em Uberaba (Foto: Reprodução/TV Integração)
Também são cumpridos 35 mandados de busca e apreensão na operação desta terça-feira. Em Uberaba, a PF cumpriu quatro desses mandados, sendo três em imóveis rurais e um residencial da família Picciani. Documentos foram apreendidos nos imóveis.
Um dos alvos foi uma fazenda às margens da BR-050 onde fica a empresa Agrobilara, que pertence à família Picciani. A Agrobilara é uma das principais fornecedoras de genética de gado nelore do Brasil. Felipe estaria à frente dos negócios, que tem como sócios o pai, Jorge, e os irmãos Leonardo Picciani, ministro do Esporte, e Rafael Picciani, deputado estadual.
Por volta das 6h, equipes da Polícia Federal chegaram à sede da fazenda. Eles foram recebidos por funcionários, que não tinham chaves do imóvel. Um terceiro funcionário chegou e abriu. Por volta das 8h, a equipe da PF deixou a fazenda. Documentos apreendidos foram encaminhados à sede da Polícia Federal em Uberaba.
A Agrobilara Comércio e Participações Ltda já foi citada em investigações da Lava Jato por supostas atividades ilícitas na delação premiada de Jonas Lopes, ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado do Rio (TCE-RJ). Segundo a delação, a compra de gado foi usada para lavar dinheiro de propina.
Outras prisões
foto - Equipes da Polícia Federal cumpriram mandados de busca e apreensão em Uberaba (Foto: Bruno Sousa/G1
O ex-presidente da Fetranspor, Lélis Teixeira, chegou na sede da PF às 9h30. Assim como Barata Filho, ele teve mandado de prisão preventiva – sem prazo definido – expedido pela Justiça na operção Cadeia Velha.
Barata Filho e Lélis Teixeira já tinham sido presos na operação Ponto Final, em julho. Porém, em agosto, foram liberados por decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Trinal Federal. Eles tiveram a prisão revertida em recolhimento domiciliar noturno.
Dono de mais de 25 empresas de ônibus no Rio e filho de Jacob Barata, conhecido como "Rei do ônibus", Barata Filho é suspeito de pagar propina para políticos em troca de decisões favoráveis a seus negócios, como aumento da tarifa de ônibus.
Lélis Teixeira é suspeito de ser o responsável por dar as ordens para o pagamento de propina na ausência de José Carlos Lavouras, que era o presidente do Conselho de Administração da Fetranspor e também foi preso na Ponto Final.
Veja abaixo os alvos da operação Cadeia Velha:
Mandados de prisão preventiva:
Andreia Cardoso do Nascimento
Carlos Cesar da Costa Pereira
Jacob Barata Filho
Jorge Luiz Ribeiro
José Carlos Reis Lavouras
Lélis Marcos Teixeira
Mandados de prisão temporária:
Ana Cláudia Jaccoub
Fábio Cardoso do Nascimento
Felipe Carneiro Monteiro Picciani
Márcia Rocha Schalcher de Almeida
Mandados de intimação/condução coercitiva:
Alice Brizolla Albertassi
Edson Albertassi
Jorge Sayed Picciani
Paulo Cesar Melo de Sá
O que dizem os citados
O G1 tenta contato com a assessoria de Jorge Picciani, mas os telefonemas não foram atendidos. O último foi às 9h30.
A defesa de Jacob Barata Filho informou que não teve acesso ao teor da decisão que originou a operação desta terça e, por isso, não tem condições de se manifestar a respeito.
Os advogados do empresário adiantaram que vão pedir o restabelecimento das medidas restritivas ordenadas pelo STF, "que já decidiu que a prisão preventiva do empresário é descabida e pode ser substituída por medidas cautelares, que vêm sendo fielmente cumpridas desde então"
Operação
A investigação da operação Cadeia Velha durou seis meses e teve quebras de sigilo bancário, telefônico e telemático, acordos de leniência e de colaboração premiada, além de provas obtidas a partir das Operações Calicute, Eficiência, Descontrole, Quinto do Ouro e Ponto Final, que investiga desvios de verba no transporte público do estado com a atuação de políticos do estado.
Segundo o Ministério Público Federal, a investigação apura o uso da presidência e outros postos da Alerj para a prática de corrupção, associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O nome da ação é uma referência ao prédio histórico da Alerj.
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