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sábado, 5 de agosto de 2017

Os jovens, a fé e o discernimento vocacional

Pe Miguel Donizete Garcia, Reitor do Seminário Diocesano Administrador da Paróquia São Bernardo, em Fernandópolis



Na abertura da última Jornada Mundial da Juventude, em Cracóvia, o Papa Francisco perguntou aos jovens se eram "capazes de mudar as coisas"? Todos gritaram "Sim". A exemplo do profeta Jeremias, mesmo com a inexperiência de sua jovem idade, foram encorajados a não terem medo, buscando proteção no Senhor.

Anunciar a alegria do Evangelho é a missão que Cristo confiou à sua Igreja. O último Sínodo e a Exortação Apostólica pós-sinodal Alegria do Amor foram dedicados ao acompanhamento das famílias para encontro desta alegria.

Em continuidade neste caminho, a Igreja Católica se prepara para a XV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, cujo tema a ser tratado será "Os jovens, a fé e o discernimento vocacional.

A palavra Sínodo é uma conjunção de duas outras palavras da língua grega, cujo significado é "fazer juntos o caminho" ou "caminhar juntos". Trata-se de uma série de encontros de bispos de todo mundo para tratarem de assuntos propostos por quem convocou o Sínodo e proporem encaminhamentos para as questões discutidas. Um Sínodo acontece somente a partir da convocação do bispo, quando se realiza em uma Diocese ou do Papa, quando se realiza para tratar de assuntos relativos à Igreja Universal.

A finalidade do próximo Sínodo é acompanhar os jovens em seu caminho existencial rumo à maturidade, para que, através de um processo de discernimento, "possam descobrir seu projeto de vida e realizá-lo com alegria, abrindo-se ao encontro com Deus e com os homens, participando ativamente da edificação da Igreja e da sociedade".

Como afirma o documento 85 da CNBB sobre a evangelização da Juventude, não podemos evangelizar aquilo que não conhecemos. Portanto, foi publicado um documento preparatório tendo início a fase da consulta. Esse Documento propôs uma reflexão subdividida em três passos. Começou delineando, resumidamente, algumas dinâmicas sociais e culturais do mundo em que os jovens crescem e tomam as suas decisões, para propor uma leitura de fé. Depois, as passagens fundamentais do processo de discernimento, o qual constitui o principal instrumento que a Igreja deseja oferecer aos jovens para descobrir a própria vocação, à luz da fé. Finalmente, salientou os pontos fundamentais de uma pastoral juvenil vocacional.

Não se trata de um documento completo, mas de uma espécie de mapa que tenciona incentivar uma procura, cujos frutos somente estarão disponíveis no final do caminho sinodal. No final do documento foi apresentado um questionário que está sendo respondido pelos jovens de todas as Dioceses do Brasil e enviado para a CNBB, que fará uma síntese e a enviará à Secretaria do Sínodo, no Vaticano.

Como recomendava São Bento aos abades: antes de cada decisão importante, consulte também os jovens porque «muitas vezes é exatamente ao mais jovem que o Senhor revela a melhor solução».

Confiemos a Maria de Nazaré este percurso em que a Igreja se interroga sobre a maneira de acompanhar os jovens a aceitar o chamado para a alegria do amor e para a vida em plenitude. Que ela nos ajude a descobrir o estilo da escuta, a coragem da fé, a profundidade do discernimento e a dedicação ao serviço.
 


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