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sábado, 3 de junho de 2017

Dermatologistas condenam nova moda de tatuagem para cobrir olheiras


Vai ano, vem ano e no mundo da estética e da beleza sempre surge alguma novidade que promete resolver problemas e incômodos como num passe de mágica. A cada nova onda, os especialistas ficam de cabelo em pé. No último verão foi o tal do bronzeamento com fita isolante, com consequentes relatos de queimaduras grave na pele de diversos clientes. A bola da vez são as olheiras. As rodelas de pepino e batata sobre a área - dicas do tempo das avós - foram substituídas por tatuagem na área abaixo dos olhos para cobrir os tons arroxeados ou amarronzados. Com custos que variam entre R$ 1 mil e R$ 15 mil, prometem acabar com o semblante cansado das pessoas.



 

Não é bem assim. A dermatologista Livia Pino (foto ), membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e professora da Universidade de Medicina de Valença, chama atenção para os diversos riscos de optar por procedimentos como esse.

"Nós dermatolgistas desaconselhamos fazer a técnica da tatuagem nas olheiras. Essa região abaixo dos olhos é uma das áreas mais finas da pele do nosso corpo, com grande possibilidade de desenvolver alergias. Mesmo um tatuador muito experiente corre o risco de colocar algum pigmento ali e estourar um vaso. Isso vai derramar sangue e vai tatuar um outro pigmento, que é o ferro contido dentro da hemácia e isso pode deixar a olheira mais escura definitivamente. Neste caso, esse pigmento é praticamente impossível de tirar", esclarece a dra Livia Pino.

A médica explica que até existem ácidos que poderiam ser usados para tentar diminuir o efeito de uma tatuagem na região das olheiras, mas que as respostas não são tão boas assim. Na maioria dos casos, melhora, mas não resolve totalmente.
Reprodução/Instagram/rodolphotatuador
Outra observação feita pela especialista é sobre a dificuldade de achar uma tinta que seja exatamente da mesma tonalidade da pele de cada pessoa.

"Se com o corretivo, que temos uma infinidade enorme de opções de cores e marcas já temos essa dificuldade, imagina uma tinta que fica permanente na pele! E vale lembrar que as olheiras mudam de cor de acordo com vários fatores, tais como sono e estresse. Essa olheira pode ficar mais escura um dia e mais clara no outro tornando muito complicado conseguir colocar uma tonalidade permanente nesta tatuagem", alerta a dermatologista Livia Pino.

Fator sol - Os especialistas chamam atenção também para o fator sol; importante de se levar em conta por vivermos no Brasil, um país tropical com alta incidência de radiação solar o ano todo.

"Se a pessoa fizer a tatuagem e se expor minimamente ao sol, a pele vai ficar bronzeada e a área que tem o pigmento da tatuagem, não. Essa é uma região muito nobre do rosto, no meio da face, que chama bastante atenção. A tatuagem não muda de cor com o sol e não o bloqueia. Qualquer intervenção estética tem que se levar em conta que o organismo nunca vai cessar o processo de envelhecimento. A pele vai envelhecer e a tinta também. A olheira tatuada terá essa tinta microfagocitada com o passar do tempo e, como qualquer tatuagem, vai ficando borrada", revela dra Livia.

As causas das olheiras são as mais diversas e isso é preponderante para o sucesso de qualquer tratamento. O escurecimento da área dos olhos pode ocorrer devido a várias circunstâncias passageiras como cansaço, privação do sono, fatores morfológicos, genéticos, processo de envelhecimento. O ideal é que se trate essa região e existem vários tipos de técnicas seguras e com eficácia comprovada como preenchimento e laser.

Perfil – Livia Pino é médica dermatologista, membro efetivo da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Graduada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro-UFRJ, tem pós-graduação em Dermatologia pela Policlínica Geral do Rio de Janeiro. Livia atua ainda como professora da Faculdade de Medicina de Valença e Preceptora do ambulatório de Pós-Graduação em Dermatologia da Policlínica Geral do Rio de Janeiro.

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