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sábado, 6 de maio de 2017

Pluralismo

Reginaldo Villazón

Estima-se que os povos indígenas das três Américas se formaram, principalmente, a partir de povos asiáticos que chegaram pelo Norte – território do Alaska – há 12 mil anos. A contar do descobrimento do Brasil (1500), o povo brasileiro se construiu em três bases – indígenas, africanos e europeus –, com contribuições menores importantes. O pluralismo cultural brasileiro é evidente. Há unidade nacional, mas basta adentrar Estados vizinhos para apreciar contrastes culturais surpreendentes.

Países europeus sem pluralismo cultural, que antes foram colonizadores – Alemanha, Inglaterra, França e outros –, vem recebendo correntes migratórias de outros continentes e assumem o pluralismo cultural com cuidados e preocupações. O processo de globalização avança rápido e seus líderes (políticos e econômicos) não encontram meios de aperfeiçoar a democracia, fortalecer a economia e debelar as guerras. Neste cenário de inquietações, os imigrantes aumentam as demandas sociais.

A internet derruba barreiras da comunicação e mostra que a globalização é um caminho sem volta. Nela é possível enxergar o que está acontecendo no mundo. Intercâmbios entre países oferecem experiências culturais em várias áreas para interessados na ampliação das suas potencialidades. Seja para realizar um estudo, aprender um idioma, treinar uma profissão ou exercitar uma arte, os participantes dos intercâmbios são obrigados a conviver e interagir com outros de culturas diversas.

Por exemplo, é possível ver na internet o caso do jovem brasileiro que foi se graduar na Coréia do Sul e se casou com uma colega coreana. Em um vídeo, ambos visitam regiões urbanas na Coréia do Sul e revelam características fascinantes dos logradouros e pessoas. Em outro vídeo, eles passeiam por cidades históricas de Minas Gerais e curtem as particularidades encantadoras existentes. Entre eles, não há críticas nem cobranças. Eles preferem preservar e integrar as suas culturas.

Sociólogos alertam que cultura não é uma fatia da realidade de um povo. Ela não é restrita a aspectos intelectuais, folclóricos e sociais. Temos que considerá-la como conjunto de instituições, conhecimentos, crenças, mitos e práticas que identificam e garantem a continuidade do povo. Toda realidade do povo – política, economia, religião, justiça, educação, ciência, tecnologia, arte, alimentação – expressa sua cultura. Logo, as diversidades culturais devem ser somadas como riquezas.

As sociedades e pessoas culturalmente pluralistas são mais capazes de se desenvolverem, mantendo a harmonia do conjunto. Vicissitudes como marginalidade política, econômica e social, atitudes como de intolerância e desrespeito, não vicejam. A presença atuante de diversas culturas facilita a cooperação, dentro das sociedades pluralistas e entre elas. Todos os indivíduos são estimulados a participar dos processos de transformação social. Esta tendência ganha pontos na globalização.

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