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sábado, 8 de abril de 2017

Os jovens

Reginaldo Villazón

Os jovens (de 15 a 29 anos) constituem um quarto da população brasileira. Isto significa – conforme projeção do IBGE – que hoje existem 51,8 milhões de jovens no país. A maior parte deles só trabalha (45%). Uma parte só estuda (22%). Outra parte não trabalha nem estuda (20%). A menor parte trabalha e estuda (13%). A situação é preocupante. A melhor fatia deles (que trabalha e estuda) é a menor. A fatia dos mais vulneráveis (que não trabalha nem estuda) abrange um quinto de todos.

É natural que o IBGE tenha incluído indivíduos de 25 a 29 anos, porque hoje a juventude se estende a essas idades. A necessidade de desenvolvimento profissional e a instabilidade dos primeiros empregos retardam a independência econômica e as responsabilidades sociais da fase adulta. Também não seria infundado incluir indivíduos de 10 a 14 anos, pois hoje muitos deles já se ocupam de assuntos próprios dos jovens. Essa inclusão aumentaria em 9% a população brasileira considerada jovem.

A atenção com a juventude deveria ser bem maior. Muitos adultos imaginam que vão conquistar o país que almejam e vão materializar as cidades que desejam, simplesmente, confiando na democracia. No entanto, a tradição atesta que os detentores do poder dificultam o progresso, quando este afeta suas regalias. Claro que a participação dos cidadãos em favor do bem geral é fundamental. Mas não adianta esperar que a atual geração de dirigentes supere seus limites de sensibilidade e competência.

Torna-se óbvio admitir que o futuro próximo do nosso país e das nossas cidades será concebido e construído pelos jovens de hoje. E o futuro, mais adiante, pelos filhos deles. A sucessão de gerações – bem sabemos – é inexorável, necessária e benéfica. Por isto, zelar pelos jovens não é só uma questão de humanidade e justiça. Ademais, isso não pode ser adiado para priorizar aspirações sociais atuais. Problemas de difícil solução, que hoje se acumulam, serão resolvidos pelos dirigentes vindouros.

São imprescindíveis ações sociais de apoio aos jovens. Eles estão expostos a sérios enfrentamentos, como o contato com produtos perigosos (fumo, bebidas alcoólicas, drogas), os riscos de acidentes e violência urbanos, os perigos e ansiedades das primeiras experiências sexuais, o ingresso no mercado de trabalho exigente e frio. Quando contam com suporte na família, em entidades e projetos sociais, eles conseguem entender as dificuldades e contorná-las com esforço para não se abaterem.

Nós – adultos – devemos prestigiar mais os jovens, fazer mais por eles, botar mais fé neles. Eles são capazes de dominar o uso das novas tecnologias com muita desenvoltura e rapidez. Eles têm consciência da importância de assuntos como desigualdade social, direitos humanos, cidadania, liberdade de expressão, meio ambiente. Numa pesquisa, 70% dos jovens afirmaram ter bem clara a percepção de que eles têm capacidade de mudar o mundo para melhor. Pura verdade, eles farão isso.

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