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sábado, 3 de dezembro de 2016

Cuba de Fidel

Reginaldo Villazón

Para facilitar a compreensão, os estudiosos dividiram o socialismo em dois. O socialismo ideal (nunca posto em prática), proposto por pensadores (como Karl Marx) durante as turbulências da Revolução Industrial com o objetivo de estabelecer uma sociedade justa. E o socialismo real, praticado por muitos países no século passado, tendo à frente a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), com o objetivo de construir uma sociedade de cidadãos iguais sob um governo forte.

O socialismo real se opôs à democracia e ao capitalismo, instituindo ditaduras políticas e economias estatizadas nos países onde se localizaram. Prisões, torturas, execuções e deportações (dos contrários ao regime) aconteceram aos milhões. A indústria e a agricultura controladas pelos governos não tiveram boa eficiência. Até que o líder soviético Mikhail Gorbachev (hoje, aos 85 anos, em Londres) promoveu reformas políticas e econômicas que resultaram no desmantelamento do socialismo real em 1991.

A morte de Fidel Castro na última sexta-feira (25 novembro 2016), aos 90 anos, na cidade de Santiago de Cuba, decretou o fim (sem volta possível) do socialismo real em Cuba, a grande ilha que se insinua na boca do Golfo do México. Cuba já havia reatado, há dois anos, as relações diplomáticas com os Estados Unidos (após 50 anos). E no ano passado consentiu a reabertura da Embaixada norte-americana em Havana. Foi um fim morno para revolucionário de esquerda, fardado, armado e barbudo.

Fidel Castro sempre inspirou amor e ódio, admiração e aversão. Há razões para sentimentos tão avessos, tanto da parte de cubanos como de estrangeiros. Com recursos financeiros minguados, ele proporcionou ao povo excelentes ganhos sociais. Zerou o analfabetismo e ampliou o acesso do povo à educação. Montou um sistema de saúde amplo e eficiente, elogiado por especialistas de países adiantados. Os preços acessíveis dos alimentos permitiram que não existissem pessoas desnutridas.

Mas Fidel Castro foi um ditador autêntico. Foi bom para aqueles que o apoiaram ou se submeteram a ele. Foi cruel contra os que pensaram diferente dele ou desejaram outro tipo de governo. Do jeito que costumam agir os ditadores, Fidel Castro prendeu, torturou, executou e extraditou cidadãos cubanos. Muitos morreram no mar, tentando alcançar os Estados Unidos, navegando em embarcações precárias. Além disso, o desenvolvimento econômico e tecnológico nunca satisfez boa parte da população.

A maioria dos jovens cubanos não lamentou a morte de Fidel. Os jovens cubanos – imaginem! – desejam escolher os seus governantes, expressar livremente suas opiniões, ser menos vigiados pelas autoridades, ter acesso a mais e melhores oportunidades de estudo, trabalho, empreendimento e renda. Sem dúvida, Fidel Castro realizou a proeza de preservar Cuba da sede de domínio dos Estados Unidos (tão próximos). Mas não evoluiu. Acabou se tornando personagem típico de uma época.

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