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sábado, 2 de julho de 2016

Não me convenço

*José Renato Nalini

Não consigo me convencer de que a liberalização da droga será um passo adiante na reconquista de estágio civilizatório pelo qual já passamos e do qual estamos nos afastando, em nefasto retrocesso. Sei que há argumentos favoráveis, sobretudo de ordem econômica. Sem a proibição, desapareceria o traficante. A aquisição seria livre. O intermediário seria reconhecido pelo governo. Também reconheço que recentes experiências dão conta de que o consumo não aumentou depois que a aquisição para uso próprio foi permitida.

A experiência pessoal, notadamente ao julgar traficantes e, antigamente, até usuários, é a de que o consumidor de droga é um fraco. Alguém que não consegue encontrar em sua vida uma perspectiva mais consistente do que fugir à realidade. Sei de pessoas que nasceram em lares privilegiados, considerada a miséria brasileira. Mas enveredaram pela droga e preferiram desfazer a família, fornecer péssimo exemplo aos filhos, abandonar-se a um consumo irresponsável e por em risco a própria saúde – física e mental – a abandonar o vício.

Visitar a Cracolândia é um bom exercício para quem acredita que a droga faz bem. Ou, ao menos, que não faz tanto mal assim. Para aqueles que dizem que podem parar no momento em que quiserem. Que não correm o risco de se perder, de abandonar hábitos saudáveis, de se desleixar na higiene e na aparência, de abdicar à opção pela vida digna. Lamentavelmente, o que tenho visto é a droga representar um flagelo para as famílias, ser um componente importante na história da dissolução dos lares, embora tanto os viciados como seus pais procurem argumentar com outras causas. Estas seriam enfrentadas e resolvidas sem o desfazimento do lar, não fora o terrível papel que a droga exerce nas mentes fracas e, infelizmente, condenadas à eterna insatisfação, ou seja, à permanente infelicidade. Mas não tenho o monopólio da verdade. Nunca me recuso a ouvir aqueles que defendem o inofensivo uso da maconha. A porta de entrada para outros usos nem tão inofensivos.* José Renato Nalini, secretário da Educação do Estado de São Paulo

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