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quarta-feira, 1 de junho de 2016

Em 30% dos estupros o autor é desconhecido da vítima

 
Isaac Amorim/MJC
Secretários da Segurança de todo o país participaram de encontro no Ministério da Justiça e Cidadania, em Brasília
Cerca de 70% dos estupros têm autoria identificada pela vítima no momento do registro dos boletins de ocorrência no Estado de São Paulo. O dado foi divulgado nesta terça-feira (31) pelo secretário da Segurança Pública, Mágino Alves Barbosa Filho, durante reunião no Ministério da Justiça e Cidadania, em Brasília.
“Apenas 30% dos casos são cometidos por pessoas desconhecidas”, afirmou. Isso significa que a cada 10 casos de estupro, em sete o autor tem certo convívio com a vítima. A Polícia Civil, por meio das Delegacias de Defesa da Mulher, está trabalhando para que todos os criminosos envolvidos nesse tipo de violência sejam identificados e presos.
Mágino participou, nesta manhã, de reunião sobre o Plano Nacional de Segurança Pública com os secretários de todos os estados brasileiros e também do Distrito Federal, ao lado presidente em exercício Michel Temer e do ministro Alexandre de Moraes.
O governo federal anunciou a criação de um núcleo de enfrentamento à violência de gênero e um cadastro nacional de medidas restritivas contra agressores. “Vamos combater a violência, em especial a violência contra a mulher e vamos buscar meios de dar apoio aos estados”, destacou Temer.
Já o ministro da Justiça e Cidadania afirmou que as medidas são um salto gigantesco e efetivo nas ações de segurança. “São ações de prevenção e repressão que vão repercutir na ponta, no sistema de segurança dos estados e no combate à violência contra a mulher."
Pioneirismo
São Paulo é pioneiro no combate as diversas formas de violência de gênero. Há quase 31 anos, foi criada a primeira Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) do país. Hoje, o Estado conta com 132 unidades espalhadas pela Capital, pela região metropolitana e pelo interior, todas com policiais preparados.
“Na DDM, temos um atendimento especializado. Lá, você não julga a mulher. O policial ouve o que ela tem a falar, sem fazer juízo de valores por causa das roupas ou de quaisquer características da vítima ou da situação”, destacou a delegada Gislaine Pato.
Para ela, que é coordenadora das DDMs, com o bom atendimento, é possível ganhar a confiança da vítima, para que ela detalhe as informações necessárias para facilitar a investigação, sem que ela volte a sofrer com as lembranças ou a pressão.
“As vítimas têm medo de expor a vida íntima e também sentem medo de represálias por parte do agressor, mas é preciso que contem com a polícia e denunciem, para que se possa punir os culpados”, relatou Gislaine.
A Secretaria da Segurança Pública também é a que divulga, mensalmente, os dados mais completos sobre violência em todo o Brasil. Em 2015, cerca de 13% das vítimas de homicídios dolosos ocorridos no Estado de São Paulo foram mulheres.
De acordo com o Perfil do Homicídio, uma a cada 100 mortes intencionais tem vestígios de violência sexual. Além disso, seis a cada 100 homicídios são resultado de conflitos entre casais. Quatro dessas vítimas são mulheres.
No ano passado, as Delegacias da Mulher instauraram 62.379 inquéritos policiais para a apuração de diversos crimes. De janeiro deste ano até agora, forma mais 21.634 investigações iniciadas em todo o Estado.
Bem-Me-Quer
Crianças, adolescentes e adultas vítimas de estupro na cidade de São Paulo e da região metropolitana recebem um atendimento especial, no Hospital Pérola Byington, desde 2002, por meio do programa Bem-Me-Quer, mantido pelas secretarias da Segurança, da Saúde e do Desenvolvimento Social.
O objetivo é oferecer um atendimento humanizado que ajude a vítima a amenizar as dificuldades encontradas e a recuperar a autoestima. O hospital tem um ambiente exclusivamente dedicado a este atendimento para dar segurança as vítimas.
O programa prevê assistência social, psicológica e de saúde, inclusive com remédios retrovirais para inibir a disseminação do HIV e contra outras doenças sexualmente transmissíveis, além de prevenir a gravidez. As vítimas são conduzidas em viaturas descaracterizadas, que ajudam a preservar o anonimato de quem vai receber atendimento médico.
Grupo de trabalho
O secretário Mágino Alves Barbosa Filho assinou no dia 25 de maio uma resolução que nomeou membros para um grupo de trabalho com objetivo de discutir medidas de segurança, que aprimorem o combate aos crimes de violência doméstica contra a mulher.
O grupo de trabalho propõe, entre outras coisas, a monitoração eletrônica dos crimes contra a mulher. A equipe será coordenada pelo secretário-adjunto da Segurança, Sérgio Turra Sobrane.
Outros 14 representantes das polícias Civil, Militar e Técnico-Científica, além do Ministério Público estadual se reunirão quinzenalmente para debater a violência doméstica. A nomeação foi publicada no Diário Oficial da última quinta-feira (26).
“Ao menor sinal de que há qualquer forma de violência física, moral, psicológica ou patrimonial, a mulher precisa procurar ajuda. Ela não está sozinha. Estamos aqui para apoiá-la”, enfatizou a dele

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